Regras para uso da crase – Parte final

Prosseguindo com a explicação do uso ou não da crase, gostaria de fazer um sumário em forma de tabela para uma consulta rápida para os casos em que é obrigatório o uso da crase e para aqueles em que não se deve usá-la.

Mesmo tendo entendido bem, como o assunto é extenso e com muitas particularidades, muitas vezes não nos lembramos de qual é o caso na hora de escrever o nosso texto.  E estamos com a atenção completamente voltada ao nosso assunto e, assim, não estamos a fim de parar em regras do idioma e correr o risco de perder nossa inspiração que está fluindo. Assim queremos apenas saber na hora como é que se grafa, escreve.

No meu ponto de vista, a língua é uma estrutura viva e nós, os falantes, somos seus criadores. Como há regras formais, pode demorar um pouco para que a linguagem do dia a dia seja dominante, mas no final ela o será.

Atualmente dispomos de tablets e smartphones cujos teclados nem apresentam acentos, cedilha e outros sinais gráficos. São milhões de pessoas teclando diariamente e, em pouco tempo, muitos dos sinais cairão em desuso.

E, mesmo os diferentes idiomas tendem a se mesclar, principalmente o inglês, que está presente numa forma abrasileirada nos nossos textos. Não faltam exemplos como deletar, setar, ressetar, printar e muitos outros.

Mas como o futuro ainda não chegou ao uso da crase, aqui vai uma lista dos diferentes casos para locuções.

Locuções com crase obrigatória

À altura de     à bala       à base de     à beira de      à bomba     à cabeceira     à caça

À carga        à cata          à chave          à custa de     à deriva       à disposição

À entrada     à escolha     à escuta     à espada      à espera      à espreita     à esquerda

À exaustão      à evidência     à exceção de      à faca     à fantasia     à farta

À falta de      à flor da pele     à força de     à mão armada      à máquina       à margem

À meia noite     à mercê           à mesa       à mesma hora        à disposição

À espera       à paisana        à parte         à porta          à praia

À prestação      à primeira vista     à prova d’água      à pururuca

À queima roupa      à rédea curta     à retaguarda       à revelia de

À saúde          às avessas        às cegas      às gargalhadas

Às lágrimas     às margens de       às mil maravilhas        às moscas

Às ordens de     às pressas      à superfície       à toa       à unha

À vontade

Locuções em que não se usa a crase

A álcool      a bel-prazer       a boa distância       a bordo         a bordoadas

A cacetadas       a calhar        a cântaros      a caráter       a cargo de     a cavalo

A cerca de     a curto prazo      a dedo         a diesel    a eletricidade         a esmo

A estes (estas)     a esses (essas)     a estibordo     a expensas de       a facadas

A ferro     a ferro e a fogo      a frio       a fundo     a galope      a gás      a gosto

A grande distância        a marteladas       a meia altura         a menos       a meu ver

A nado         a óleo      a olho nu        a ouro        a pé       a pino       a postos

A prazo     a princípio        a público     a quatro mãos      a querosene        a respeito de

A rigor     a rodo     a sono solto        a socos           a sós        a termo       a tiro

A toda hora      a toda força            a toque de caixa      a trote          a valer

A vapor         a vela      a jato

Uso facultativo da crase

Podemos usar ou não a crase nos casos:

Antes de nomes femininos.

Dei o lugar à senhora idosa.    Dei o lugar a senhora idosa.

Ele vendeu o sapato à minha irmã. Ele vendeu o sapato a minha irmã.

O rapaz trouxe a carta à Regina. O rapaz trouxe a carta a Regina.

Isso acontece, pois é facultativo usar o artigo a nesses casos.

Depois da preposição até.

Ele foi até à praça. Ele foi até a praça.

A menina veio até à porta. A menina veio até a porta.

Eles foram até à escola. Eles foram até a escola.

Assim terminamos nossa explicação de hoje. Esperamos que vocês aproveitem.

Consultem as listas em caso de dúvida.  Estão listadas as locuções com e sem crase, as principais e mais usadas, mas existem muitas outras.

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